FILOSOFIA PARA A VIDA: Memorial da vida escolar.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Memorial da vida escolar.

Manoel Vieira Lopes, nascido aos 22 de julho de 1.977. filho de Selvino Vieira Lopes e Jardelina Rodrigues Salomão, natural da cidade de Itarantim- Ba – Brasil.
Iniciei minha vida escolar no ano de 1.982, na Creche Tia Genir. Foram anos de felicidade e disciplina. O pai um profissional reconhecido na arte da carpintaria e sua mãe uma senhora respeitada, filha de fazendeiros. A família materna tinha um apelido curioso “Família Vintém”. (apelido que se matem após quatro gerações.). Por tanto a minha conduta na Creche estava sendo vigiada, por pertencer a uma família conhecida na cidade, município que não passava de 15 mil habitantes, e por isso não podia extrapolar nas meninices, a não ser que fosse longe dos olhares atenciosos da minha querida Tia Dolores o menino vigiado não era simplesmente Manoel e sim Binho filho de Selvino e Jardelina.
Lembro-me de algumas peripécias na Creche Tia Genir, mas vou relatar uma que é bastante viva na minha memória. Estudava no período vespertino com mais umas 18 crianças, numa sala aconchegante, na Rua Manoel Novais S/n, pertinho da minha casa. Estava tudo indo bem, até que no meio do ano chegaram de uma cidade próxima duas crianças, precisamente de Pau Brasil, dois meninos realmente levados, Paulo e Artur, (hoje conhecido como Artur da pedra, apelido relacionado ao período da pedra lascada.) Lembro que sempre fui um menino turrão e esse garoto, Artur, veio de uma cidade formosa por ser violenta e ele começou a brigar com todos. O fato é que não deu outra acabamos nos desentendendo e fiquei jurado de apanhar na saída da escola. Acabei recebendo um murro no olho que dói até hoje.
Mas, como diria Cazuza “o tempo não pára”, passada o pré-primário, fui para o primário no ano de 1.985 na Escola Estadual Castelo Branco, aos meus olhos uma enorme escola, com tantas crianças que não poderia ser contada, eu acho que estava no maior lugar do mundo. Tempos difíceis aqueles, não foram fáceis a minha adaptação. Minha maior dificuldade foi quando minha professora Hilda, descobriu que eu tinha problema de visão, então comecei a usar óculos e logo vieram os apelidos e comecei a ficar chateado com os meus colegas e a vontade de ir para escola foi diminuindo, mas com o passar dos dias me acostumei e meus colegas também com aquele objeto estranho no meu rosto. A 1ª série foi tranqüila, estudava em uma sala grande no começo de um corredor, que com passar das serieis ,iria passando de salas até chegar no fim, já era final do primário. Foi quando conheci alguns amigos que tenho até hoje, amigos como: Antonio Clerio (Dragão), Marcio Moreira, (perua) Jailton, ( jai mamão) Adalton, (Catim guelê) e outros.
Na 2ª série conheci os encantos de uma gatinha, Marceli, e meu colega Marcio se encantou por outra, Viviane, ficávamos de longe olhando as nossas pretendentes, não tive sucesso com a minha naquele momento, mas o meu colega conseguiu uns beijinhos forçado com a dele o que lhe rendeu uns tapas na cara e um período na secretaria. Já na 3ª serie comecei a envolver-me com futebol. Jogava futebol de manhã, à tarde e a noite. Quando cheguei ao final do corredor, ou seja, na 4ª série, já tinha experiência suficiente para dá cascudo nos mais novos, lembro-me que na época de jogar gude, tinha tal “ordem de Quelé”, que era da seguinte forma: os meninos mais velhos quando chegava perto dos mais novos tomava os gudes dizendo que foi ordem de Quelé, Quelé era um guarda municipal muito engraçada que tomava os gudes dos meninos, não sei com qual finalidade. Lembro quando tirei dez em história, a professora Hilda me deu um presente e fiquei feliz da vida. E assim foram meus primeiros anos de estudos.
Quando os estudantes saíram do primário e foram para o 1º grau, na minha cidade no tempo em que estudei se dizia que estava indo para o ginásio, tinha um ritual de iniciação que consista em dar cascudo nos novatos, foi o meu cartão de visitas.
O 1º grau estudei no Centro Educacional Cenecista de Itarantim (CECI) os meus colegas foram os mesmos, a grande novidade ficou por conta dos professores que se alternavam um para cada disciplina. Na 5ª serie foi calma nada de agitação, porém com um ano de experiência acumulada, já comecei a mostrar as unhas e na 6ª serie aprontei uma com minha professora de português, Tia Dina ou Professora Adnalia. Era considerada a professora mais severa do colégio. Eu e meu colega Jailton estávamos folheando uma revista de mulher pelada quando vimos uma anuncio dizendo: “Procura-se mulheres virgens” então resolvemos colar no quadro negro na aula da professora. Fizemos um pacto para não falar quem tinha colado a reportagem no quadro, quando a professora chegou, de imediato não percebeu e com passar do tempo os colegas começaram a rir, ela então ficou furiosa. Querendo saber quem tinha colado aquilo no quadro e para minha surpresa o meu colega foi o primeiro a me denunciar. Fui parar na secretaria. Na 7ª e 8ª não tive nenhum problema pelo contrário às coisas estavam andando muito bem já estava com namoradinhas e me lembro de um caso extraordinário: namorava uma garota bonita, mas bem sapequinha e meu colega Jailton com outra, como o nosso colégio era grande e bem arborizado de vez em quando saíamos para namorar perto da arvores, numa dessas saídas meu colega convidou para trocarmos de namoradas e não deu outra, a troca foi feita, mas sem sucesso destrocamos e voltamos à vida normal.
Quando passei para o 2º grau, hoje ensino médio, fiquei com uma grande duvida em estudar: Curso técnico em contabilidade ou magistério acabei optando por fazer contabilidade e fui estudar na Escola Estadual Gideão Soares Matos, ficando apenas um ano, pois não gostei do curso, nessa serie não cheguei ao final do ano letivo,pois me lembro que quando cheguei na 3ª unidade não tinha mais condições de passar de ano.Acabei voltando para o Cenecista para fazer magistério.Nesse ano comecei a engajar nas lideranças estudantis, fui líder de sala, presidente de grêmio, criamos uma cooperativa na comunidade fui o primeiro presidente da Cooperantim. No 2ª ano criamos uma comissão para formatura, onde também estava presente. Um fato marcante na minha vida escolar foi no estagio do 2ª ano, quando em uma aula de circulação sanguínea o meu regente, Djalma Prates, me pediu para comprar um coração de boi. Na aula foi uma festa, pois, com o coração fizemos uma aula viva, colocava água numa artéria e ela saia por outra, “como foi rica aquela aula”, no final o professor pegou o coração e simplesmente pediu a merendeira para fritar. Em fim comemos o coração. No 3º ano, final de curso, preocupação com festa e com estágio, me lembre que também era época de eleição e como estava na comissão de formatura, fiz uma proposta de colocar uma barraca de festa de junina, no dia da festa um candidato a deputado, Eujacio Simões, chegou perto da nossa barraca e não deu outra pedimos ajuda, o candidato nos ofertou uma caixa de cerveja, o grande lance é que só sabia desse presente duas pessoas eu e meu colega Francisco, bom, já é possível adivinhar o final, tomamos a cerveja toda à surdina. O ensino médio encerrou tudo como tínhamos planejado e foi uma bonita festa de formatura, fato tradicional no interior.
O ensino superior aconteceu para mim depois de três anos do final do ensino médio. Passei um bom tempo sem estudar, quando resolvi fazer o vestibular, foi um desastre, percebi que realmente não estava preparado para passar no vestibular, então comecei a estudar em um cursinho pré-vestibular, foi uma boa experiência, um ano letivo só de esforço com a intenção de chegar na hora da prova ser classificado como aprovado. Fiz minha matricula, optei por fazer filosofia, por que já tinha feito um curso livre em filosofia, na Interfim ( Instituto de Filosofia e Teologia Memorial). O vestibular aconteceu no mês de janeiro de 2003. Foi aprovado e no mês de agosto de 2003 comecei a estudar filosofia na UESC, foi um momento muito especial, pois, tinha uma grande vontade de estudar na UESC. Por que minha irmã, Vanuza, tinha feito História e vários amigos também já estavam estudando lá.
Logo que comecei a estudar, tive uma proposta de Hellem Maiane, para fazer parte na representação dos discentes junto ao colegiado de filosofia, como já tinha certa história de política estudantil no ensino secundarista e por ser militante do PT, por tanto, uma tendência a me envolver com política, aceitei na hora. Tive a honrar de conhecer varias pessoas na sala em que estudo, mas com certeza um grande amigo e irmão aqui fiz, o companheiro Gustavi, amigo que já dividi casa, já saímos na noite, já tomamos umas boas biritas, em fim um grande irmão que aqui fiz. Tive o prazer de disputar duas eleições, uma para o DCE, com a chapa LEVANTE, chapa essa que foi vitoriosa, e outra eleição pelo CAFIL, formada por um grupo que era uma extensão da chapa do DCE, que também foi vitoriosa. Dois grandes acontecimentos marcaram até agora minha vida na UESC. Na greve de 2005, no dia 17 de junho, o governador do Estado e o Senador ACM, vieram inaugurar algumas U.T.I`s. em ilhéus, nós que estávamos na linha de frente da greve ,por parte dos estudantes, resolvemos fazer uma barreira próxima à ponte do pontal para chamar a atenção dos políticos e quando a caravana passava fechamos a pista bem enfrente ao carro do Senador, por alguns instantes pensei está fazendo um filme, retratando a repressão sofrida pelos estudantes na época da ditadura de 64. Foi um terror os seguranças desciam de todos os lados batendo em todos, homens, mulheres todos apanharam, mas saímos de lá com um sentimento de vitória. O outro fato foi à caminhada que fizemos no dia 2 de julho em Salvador “O grito dos excluídos”, foi algo extraordinário, está presente naquele ato, mostrar a nossa insatisfação com a política adotada pelos nossos governantes.
São essas as minhas memórias fotográficas e orais que aqui foram transmutadas em escritas. Um caminho percorrido com muita luta com muita vontade e acima de tudo com muita esperança, a esperança que foi plantada em mim pelos meus pais e que busco a todo momento através da educação alcançar: que é ser um homem cada vez mais digno.

3 comentários:

  1. Kem diria ki Mamoel por aparentar ser um homem tão quieto, na sua adolescencia foi desordeiro! kkkkkkkkkk
    vc eh o kara professor=D

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  2. kkkkkkkkkkkkk que engraçado professor

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  3. Adorei a sua hisória professor , é muito interessante .

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